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Namíbia, não!

Por , 9 de abril de 2012 23:32
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Fonte: Eli Antonelli

PEÇA NAMÍBIA, NÃO!   DISCUTE QUESTÃO RACIAL MESCLANDO HUMOR E DRAMA

Duas apresentações de Namíbia,Não!   bastaram para conquistar o público de Curitiba

 

No último final de semana terminou o Festival de Teatro de Curitiba com sucesso de público mais uma vez. Nomes consagrados, novos artistas, jovens encenadores que se consolidam no cenário. O evento contou com 2 mil artistas, movimentação intensa em 75 espaços da cidade, várias apresentações de rua, espetáculos gratuitos, mostras, eventos paralelos. Com um público total de 180 mil pessoas. E para finalizar não podia ser mais perfeito a peça Namíbia, Não! sucesso de público, só em Salvador lotou salas no último ano com 20mil espectadores, veio para Curitiba para fazer barulho.

A peça dirigida por Lázaro Ramos trata de questão racial mesclando humor e conversa séria. Com um cenário todo branco, os dois personagens Antonio e André, vividos pelo autor da peça Aldri Anunciação e o consagrado ator Flávio Bauraqui estão diante de um grande problema: 2016 uma medida provisória que estabelece que toda a população negra, pessoas de melanina acentuada, como relata o texto, devem voltar à África.

Em pleno século XXI ocorre a diáspora vivida pelo povo africano do Brasil escravocrata. A medida é uma ação de reparação social aos danos causados pela União. E aí vem toda uma discussão: como as pessoas poderiam identificar qual país está sua origem, como deixar sua pátria, a língua oficial da Namíbia ser o alemão, a colonização europeia, a fome na África, inúmeros questionamentos se colocam. E no meio de humor e drama, o público se vê diante de questões que levam a reflexão direta sobre o racismo e a importante contribuição da população negra na formação do país.  Em uma determina cena os personagens começam a pontuar o que seria do Brasil sem as inúmeras personalidades negras do país.

Durante a coletiva de imprensa, questionados sobre como foi ter um diretor com bagagem tão densa de ator no comando, os dois elogiaram o desempenho de Lázaro Ramos: “Lazinho é muito sábio. Sorte do filho dele. Realmente, toda a vivência dele estava ali. Ele tem uma forma muito elegante de questionar sobre o significado das cenas. Certa vez, tentou nos fazer  funcionar relacionando a emoção da cena a uma canção. Quando não encontramos uma, ele nos mandou para fora do teatro para, em três minutos, compor uma música”, relata Bauraqui. Esta canção ainda hoje é usada na peça, cantada à capella.

A peça teve quatro cenas cortadas para ser mais dinâmica ainda, mas para quem acha que perdeu, uma surpresa: a peça gerou um livro em que o conteúdo está na íntegra.

Fazendo certo mistério, durante a coletiva Flavio e Aldri entregaram que vem novidade por aí. Questionados sobre a possibilidade de fazer um filme caíram numa gostosa gargalhada, dizendo “agora já era, vamos falar. Existem planos, sim”.

Para quem não conseguiu a entrada, uma vez que os ingressos  esgotaram-se duas semanas antes da peça. Tem possibilidade de assistir em São Paulo 14 e 15 de abril (Auditório Ibirapuera) e na sequência os meninos desembarcam no Rio e passarão uma temporada de seis semanadas na capital carioca.

 Nota:  No último domingo (08/04) a jornalista Eli Antonelli acompanhada dos fotojornalistas Leandro Grassmann, Marco Godinho e Itamar Crispim realizaram entrevista e uma seção de fotos com os artistas. Confira um pouquinho.

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